Abrir um CNPJ é apenas o começo. A partir do momento em que a empresa está ativa, uma série de custos fixos passa a incidir todo mês, independentemente do faturamento: tributos, contabilidade, taxas e encargos que o empresário precisa conhecer para precificar corretamente seus serviços e manter o negócio sustentável.
O problema é que muitos empreendedores calculam o preço dos seus serviços sem considerar todos esses custos, o que resulta em margens menores do que o esperado ou até em prejuízo. Conhecer o custo real de manter uma empresa é o passo mais básico do planejamento financeiro e tributário.
Neste artigo você vai entender quais são os principais custos fixos de uma empresa de serviços no Brasil, como eles variam conforme o regime tributário e o que a Reforma Tributária muda nessa equação a partir de 2027.
Custos tributários por regime: quanto a empresa paga de imposto
O maior custo fixo de uma empresa de serviços costuma ser a carga tributária. Ela varia significativamente conforme o regime escolhido:
| Regime | Tributos principais | Carga estimada sobre receita bruta | Observação |
|---|---|---|---|
| MEI | DAS fixo (INSS + ISS) | Valor fixo de R$ 86,05/mês (serviços, 2026) | Limite de R$ 81.000/ano; lista restrita de atividades |
| Simples Nacional — Anexo III | DAS unificado (IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, CPP, ISS) | A partir de ~6% da receita bruta | Alíquota cresce com o faturamento acumulado dos últimos 12 meses |
| Simples Nacional — Anexo V | DAS unificado | A partir de ~15,5% da receita bruta | Aplicável a serviços com maior fator R; alíquota reduz conforme a folha cresce |
| Lucro Presumido | IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, ISS | Entre ~13% e 16% da receita bruta para serviços em geral | Presunção de 32% para serviços; ISS separado conforme município |
| Lucro Real | IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, ISS | Varia conforme o lucro efetivo e os créditos aproveitados | Pode ser mais vantajoso quando a margem real é baixa ou há créditos relevantes |
⚠️ Os percentuais acima são estimativas de referência. A carga tributária efetiva depende da atividade específica, do faturamento acumulado, da folha de pagamento e de outros fatores que variam caso a caso. A simulação com o contador é indispensável para um número preciso.
Custo com contabilidade
O honorário contábil é um custo fixo mensal que varia conforme o regime tributário, o porte da empresa, o número de funcionários e a complexidade das operações. Como referência geral para empresas de serviços:
- MEI: em regra não exige contador contratado, pois as obrigações são mínimas. Muitos MEIs contam com suporte eventual de forma pontual e por valores baixos.
- Simples Nacional (ME sem funcionários): honorários mensais a partir de valores que variam conforme a região e o escritório contábil, geralmente entre R$ 150 e R$ 400/mês para operações simples.
- Simples Nacional (ME com funcionários): o custo aumenta conforme o número de funcionários, pois a folha de pagamento, o eSocial e os encargos trabalhistas geram mais trabalho contábil.
- Lucro Presumido: honorários mais altos, dado o volume maior de obrigações acessórias (ECF, ECD, EFD-Contribuições, DCTFWeb). Valores referenciais a partir de R$ 400 a R$ 800/mês para operações simples.
- Lucro Real: o regime mais complexo, com os honorários mais altos. Adequado para empresas com volume de faturamento ou complexidade que justifiquem o custo.
Esses valores são apenas referências e variam bastante conforme a cidade, o perfil do escritório e as necessidades da empresa. O importante é tratar o honorário contábil como um investimento, não como custo evitável: erros tributários custam muito mais do que a mensalidade do contador.
Encargos trabalhistas: o custo real de ter funcionários
Para empresas que contratam funcionários pelo regime CLT, o custo vai além do salário. Os encargos trabalhistas somam um percentual relevante sobre a folha de pagamento, que precisa estar na precificação dos serviços. A tabela abaixo resume os principais encargos patronais:
| Encargo | Percentual sobre o salário bruto | Observação |
|---|---|---|
| INSS Patronal | 20% (empresas fora do Simples) | No Simples, o CPP está incluído no DAS com alíquotas menores |
| FGTS | 8% | Depositado mensalmente na conta vinculada do funcionário |
| 13º salário | ~8,33% (1/12 por mês) | Provisionado mensalmente; pago em novembro e dezembro |
| Férias + 1/3 constitucional | ~11,11% (1/12 + 1/3 por mês) | Provisionado mensalmente; pago antes do início das férias |
| RAT (Risco Ambiental do Trabalho) | 1% a 3% conforme o grau de risco | Para serviços em geral, geralmente 1% ou 2% |
| Contribuições a terceiros (Sistema S) | ~5,8% para serviços em geral | Varia conforme o setor (SESC, SEBRAE, SENAC e outros) |
Somando todos os encargos, o custo total de um funcionário para a empresa fica em torno de 55% a 70% acima do salário bruto, dependendo do regime e do setor. Isso significa que um funcionário com salário de R$ 2.000 pode custar para a empresa entre R$ 3.100 e R$ 3.400 mensais, considerando todos os encargos e provisões.
⚠️ Empresas do Simples Nacional têm tratamento diferenciado para o INSS patronal, que está incluído no DAS com alíquotas menores. Isso pode tornar a contratação de funcionários relativamente mais barata nesse regime, especialmente para empresas do Anexo III com fator R favorável.
Outras taxas e custos recorrentes
Além dos tributos e da contabilidade, existem outros custos que fazem parte da manutenção de um CNPJ ativo:
- Alvará de funcionamento: renovado anualmente na prefeitura, com valor que varia conforme o município e o tipo de atividade. Empresas sem alvará válido estão sujeitas a autuação e interdição.
- Certificado Digital: necessário para emitir notas fiscais eletrônicas, acessar o e-CAC, transmitir obrigações ao eSocial e diversas outras funções. O custo anual varia conforme o tipo (A1 ou A3) e a certificadora, mas fica em torno de R$ 150 a R$ 350 por ano.
- Anuidade de conselho profissional: profissões como medicina, direito, engenharia, contabilidade e outras exigem registro e anuidade em conselhos profissionais, com valores que variam conforme a categoria.
- Sistema de emissão de notas fiscais: para empresas fora do MEI, sistemas de gestão ou emissores de NF-e e NFS-e têm custo mensal, que varia conforme o fornecedor e os recursos contratados.
- Conta bancária pessoa jurídica: bancos cobram tarifas mensais por conta PJ, que variam conforme o banco e o pacote de serviços. Bancos digitais tendem a ter custos menores ou isenção para empresas de menor porte.
- Seguro empresarial: não obrigatório em todos os casos, mas recomendável para escritórios e empresas de serviços com equipamentos ou responsabilidade civil relevante.
Como a Reforma Tributária impacta esses custos
A partir de 2027, a substituição do PIS, Cofins, ICMS e ISS pelo IBS e CBS muda a composição dos custos tributários, mas não necessariamente o total pago. Os principais impactos para empresas de serviços são:
- Novos créditos tributários: empresas do Lucro Presumido e do Lucro Real passarão a ter acesso a créditos de IBS e CBS sobre serviços contratados, algo que hoje não existe com o ISS. Isso pode reduzir o custo tributário efetivo de empresas com volume relevante de aquisições.
- Split payment: o recolhimento automático dos tributos no momento do pagamento elimina o intervalo entre receber e recolher, impactando o fluxo de caixa. Empresas que usavam esse intervalo como capital de giro precisarão rever seu planejamento financeiro.
- Adaptação de sistemas: a adequação dos sistemas de emissão de notas fiscais aos novos campos de IBS e CBS gera custo pontual de atualização, que pode variar conforme o fornecedor do sistema.
- Janela de decisão no Simples Nacional: empresas do Simples que decidirem recolher IBS e CBS pelo regime regular a partir de setembro de 2026 terão aumento na carga tributária desses tributos específicos, o que precisa entrar no planejamento de custos.
Como calcular o custo real de manter sua empresa
Para ter uma visão completa do custo de manutenção, o empresário deve somar mensalmente:
- Tributos sobre a receita: DAS, PIS, Cofins, ISS, IRPJ e CSLL conforme o regime
- Honorário contábil
- Encargos trabalhistas (se houver funcionários)
- Taxas e anuidades (rateio mensal do custo anual)
- Sistemas e softwares (emissão de NF, gestão, etc.)
- Tarifas bancárias
- Seguros e outros custos fixos da operação
Esse total, dividido pela receita bruta, dá o percentual de custo fixo sobre o faturamento. Para precificar corretamente, o preço dos serviços precisa cobrir esse percentual, mais os custos variáveis e a margem desejada.
Conclusão
Manter uma empresa de serviços ativa tem um custo que vai muito além dos impostos. Contabilidade, encargos trabalhistas, taxas e sistemas compõem uma estrutura de custos fixos que precisa estar clara para qualquer empresário que queira precificar com precisão e crescer de forma sustentável. Com a Reforma Tributária trazendo mudanças relevantes a partir de 2027, mapear esses custos agora é ainda mais importante.
A Mônica Gonçalves RCT e Contabilidade pode ajudar sua empresa a mapear todos esses custos, identificar oportunidades de redução tributária e garantir que o negócio esteja sempre em dia.




